ARM, Cortex, Exynos e Mali: entenda as siglas dos processadores de celular | Celular

ARM, Cortex, Exynos e Mali: entenda as siglas dos processadores de celular | Celular

Processadores em celulares e tablets estão longe de ser algo simples de entender, especialmente na hora da compra, com uma sopa de letrinhas que pode confundir o consumidor. Há diversos tipos de nomenclatura, como octa-core com núcleos Cortex-A53, Cortex-A75, Snapdragon, ARM, Mali, Adreno, entre outros, que pode impactar no desempenho do seu smartphone. Mas o que é isso?

Se você fica perdido no meio dessa terminologia, o TechTudo te explica o signif termodcomo eles se traduzem na performance e custo-benefício do seu novo smartphone. Confira nas linhas a seguir.

Processadores ARM estão em diversos tipos de dispositivos, como celulares e o Raspberry Pi (foto) — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

Nascida nos anos 1990, a ARM se transformou em uma gigante quase desconhecida do mundo da tecnologia. Hoje, o nome serve tanto para uma empresa desenvolvedora de processadores quanto para uma arquitetura de chips para dispositivos, como celulares e tablets, sejam eles Android ou iPhone.

Assim como a Intel e a AMD, a ARM desenvolve processadores, mas aplica um modelo de negócios um pouco diferente. Em vez de se encarregar de fabricar e comercializar esses chips, a empresa vende licenças para que outros desenvolvam produtos a partir de suas especificações e criem seus próprios produtos.

Essa estratégia é diferente, mas está longe de ser mal-sucedida. Núcleos ARM são fabricadas aos bilhões anualmente e, além de celulares, estão no interior de consoles de videogame, automóveis, dispositivos com IoT, leitores e-reader, televisores, placas como Raspberry Pi e em uma série de dispositivos conectados ou não. Segundo a empresa, de 2013 a 2017, 50 bilhões de processadores foram comercializados no mundo.

É por isso que os chips Snapdragon, A11 Bionic, Helio P22 e Exynos são processadores variados, criados por marcas diferentes – nesse caso, Qualcomm, Apple, MediaTek e Samsung –, mas ainda assim são CPUs ARM, desenvolvidas a partir de licenças concedidas a cada uma dessas fabricantes parceiras.

Snapdragon 845 é o top de linha da Qualcomm, com quatro núcleos Kryo de alta performance e outros quatro voltados para a economia — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Já sabemos o que é a ARM, empresa responsável por desenvolver e comercializar licenças da arquitetura com o mesmo nome. Mas o que é essa arquitetura?

De uma forma resumida, falar em arquitetura ARM significa falar em um tipo específico de processadores, que funciona a partir de um conjunto restrito de instruções e que foca principalmente em baixo consumo de energia e baixa geração de calor. Essas duas últimas características são cruciais para celulares e outros dispositivos portáteis e ajudam a explicar porque esses chips acabaram dominando esse mercado, ao contrário da arquitetura x86, da Intel.

Snapdragon 845 é até 30% mais rápido do que o 835 e usa núcleos modificados pela Qualcomm a partir dos Cortex originais da ARM — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

E essa história de Cortex?

Quando a ARM desenvolve uma nova versão dos seus processadores, ela cria principalmente os núcleos de processamento. Esses núcleos são batizados de Cortex e existem diversas versões que atendem necessidades específicas.

Em geral, nos celulares e tablets, o consumidor encontra processadores baseados em núcleos Cortex-A, mas existem também processadores Cortex-M, para controladores de baixo consumo de energia, Cortex-R e outros, direcionados a equipamentos ainda mais específicos.

Além disso, há subdivisões entre diferentes faixas de performance relacionadas aos Cortex-A, por exemplo. O Cortex-A75 (e seu antecessor direto, o A73) é atualmente o núcleo mais rápido e poderoso da ARM, modelo sobre o qual processadores Snapdragon 845 e outros smartphones premium são construídos. Mas dentro dessa linha existe espaço, também, para o Cortex-A55 (e o A53), que não é tão veloz, mas gasta menos energia.

O A55 também aparece com frequência em processadores para celulares, especialmente em CPUs direcionadas a celulares intermediários. Há ainda os Cortex-A35, de baixa performance e associados a SoCs mais simples, destinados a smartphones de entrada. Um ótimo exemplo disso é o Redmi Note 4, da Xiaomi, que conta com o Snapdragon 625 e seus oito núcleos intermediários Cortex-A53 de até 2 GHz.

Redmi Note 4 tem processador octa-core com núcleos Cortex-A53 — Foto: Divulgação/Xiaomi

Para combinar consumo de energia e performance, as fabricantes também podem misturar conjuntos diferentes de núcleos. O Snapdragon 845, da Qualcomm, por exemplo, tem quatro núcleos baseados no Cortex-A75 de 2,8 GHz, e que correspondem à parcela de alta performance do processador. Restam outros quatro núcleos, aí desenvolvidos em torno do Cortex-A55, e que funcionam a até 1,7 GHz, com menos velocidade e mais economia de energia em situações de uso moderado.

Outras combinações são possíveis a depender da finalidade. O Helio P22, da MediaTek, por exemplo, também é octa-core, mas direcionado ao mercado intermediário. O chip usa oito núcleos desenvolvidos em torno do A53 para menor consumo. O mesmo design é repetido no Snapdragon 625, octa-core, com oito núcleos A53 de 2 GHz.

Galaxy S9 e S9 Plus rodam com o Snapdragon 845 e seus núcleos customizados pela Qualcomm — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

E o que são os tais núcleos Mongoose, Kryo e tudo mais?

Como nós vimos, a ARM cria desenhos de processadores e vende licenças que autorizam marcas como Samsung, MediaTek e Qualcomm fabricarem processadores em cima disso. Mas o que acontece se o design padrão (ou “de referência”, como é chamado na indústria) não atende às necessidades de um produto específico?

Aí entra o investimento de cada fabricante em busca da melhor performance, ou conjunto de recursos e tecnologias que melhor atendam às suas necessidades. A Qualcomm pode decidir que deseja elevar a performance multicore – o processamento bruto usando vários núcleos ao mesmo tempo – e para isso deve mexer no desenho original. Desde que tenha permissão da ARM e capacidade técnica para fazê-lo, a fabricante estará no seu direito e poderá criar um núcleo exclusivo, mas com outro nome, Kryo.

A Samsung faz a mesma coisa com os seus processadores Exynos e tende a chamar seus núcleos customizados de Mongoose. A Apple apelida seus núcleos de alto desempenho de Monsoon e os de baixa performance e menor consumo de Mistral.

Essa possibilidade de alterar e retrabalhar o processador explica algumas diferenças importantes, como a capacidade da Apple em criar processadores que acabam atingindo performance superior em testes de benchmark se comparado com produtos da Qualcomm, Samsung e MediaTek, por exemplo.

A11 Bionic do iPhone X é um exemplo de processador ARM modificado profundamente: núcleos customizados pela Apple e GPU própria — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Agora que sabemos o que são processadores ARM e a lógica por trás da nomenclatura dos conjuntos de núcleos desses processadores, fica fácil de entender a parte gráfica desses sistemas. Assim como acontece com os designs dos núcleos Cortex, a ARM desenvolve um padrão de referência de processador gráfico. Essa GPU é chamada de Mali.

No entanto, há diferenças entre as fabricantes, também. A Samsung, por exemplo, não retrabalha nada sobre as GPUs Mali e usa o design de referência da ARM. A Qualcomm, por outro lado, desenvolve uma GPU completamente diferente, chamada de Adreno. A Apple tradicionalmente usava um processador gráfico desenhado pela PowerVR, mas desde o A11 Bionic, do iPhone X, passa a usar uma placa gráfica criada internamente.

Com informações: ARM (1, 2), Qualcomm (1, 2), Android Authority, The Guardian e XDA Developer

Cinco tópicos que devem ser analisados na hora de comprar celular

Cinco tópicos que devem ser analisados na hora de comprar celular

Fonte

Comments

comments

BpnGQtDrqJ

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *