Muitos aguardam o lançamento da sexta geração do iPod Touch, e a há também quem acredite até que o famoso player pode estar com dias contados. Caso não chegue ao fim, a Apple precisará reinventar o seu reprodutor de música, visto que o iPhone 6 já apresenta versão com armazenamento de 128 GB, enquanto o iPod disponível hoje na loja oficial só chega a 64 GB de espaço. A gigante de eletrônicos descontinuou o iPod Classic no mesmo dia do anúncio do esperado celular. O Classic era o único com capacidade de memória superior: 160 GB.

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iPods revolucionaram o mundo da música nos anos 2000, mas vendas estão em baixa (Foto: Divulgação/Apple)iPods revolucionaram o mundo da música nos anos 2000 (Foto: Divulgação/Apple)

Uma queda sem retorno?

O primeiro modelo modelo do iPod foi lançado pela Apple em 2001, contendo 5 GB de armazenamento interno e o slogan “Mil músicas no seu bolso”. Dados impressionantes para a época, já que os celulares do momento tinham capacidade ínfima e pouquíssimas funções.

O reprodutor da Apple oferecia ainda várias vantagens sobre outro concorrente de peso na virada do milênio: os Discmans. Além de não serem nada portáteis, esses reprodutores não forneciam a mesma praticidade do iPod, já que era necessário carregar os CDs para todos os lugares e trocá-los quando a música terminasse. Diante disso, o iPod foi um fenômeno.

Desde 2001, a Apple lançou cinco linhas diferentes de iPods: Classic, Mini, Nano, Shuffle e Touch. O aparelho chegou a vender mais de 55 milhões de unidades em 2008, mas, em 2013, o número de dispositivos comercializados foi de 19,74 milhões. Entre os grandes vilões, podem estar o irmão iPhone e outros celulares.

iPod x Smartphones

Se o iPod foi um dos grandes responsáveis por minar o mercado de discmans, o reprodutor de músicas pode estar sendo a vítima da vez na briga com os smartphones. A questão atual é por que valeria a pena comprar um iPod se o celular contém, em único dispositivo, as mesmas funções do player e ainda faz ligações. Além disso, o espaço interno do smartphone ainda pode ser ampliado com um cartão de memória.

No Brasil, o preço mais básico de um iPod é R$ 279 no modelo Suffle de 2 GB. O valor consegue ser consideravelmente mais baixo do que a maioria dos smartphones de entrada, como o Lumia 530 (R$ 399) e o Moto E (R$ 510). Entretanto, é mais alto do que os telefones mais simples como o Asha 501 (R$ 220), que tem o dobro de memória, mais funções e a capacidade de receber ligações.

iPod Touch são os mais completos da linha, mas preço é desvantagem contra smartphone (Foto: Divulgação/Apple)iPod Touch são os mais completos da linha, mas preço não oferece vantagem (Foto: Divulgação/Apple)

Quando a briga chega ao iPod Nano, a situação fica ainda mais difícil para a Apple. O modelo básico da linha é vendido por R$ 829 e tem armazenamento de 16 GB. Com essa quantia, é possível comprar aparelhos como o Moto G (R$ 799) ou chegar perto do valor do Lumia 625 (R$ 899), ambos com acesso à Internet, aplicativos, músicas, vídeos e ligações.

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A mesma tendência é observada pelo iPod Touch de 16 GB (R$ 999). No entanto, o modelo conta com a vantagem de ser compatível com o iOS 8, baixar aplicativos e jogos e também fazer fotografias. A maior desvantagem em relação aos telefones fica sempre por conta da impossibilidade de fazer chamadas e de o usuário ter que carregar dois aparelhos ao mesmo tempo.

Um novo “algoz”: o streaming

O iTunes, lançado pela Apple em 2003, foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do iPod e pela queda da venda de discos físicos. A grande vantagem do serviço é que o usuário poderia comprar uma música digital sem ter que pagar por todo o álbum. Assim, o consumo tornou-se mais flexível e vantajoso ao consumidor.

O modelo de vendas de faixas do iTunes, porém, entrou em declínio nos últimos anos graças a uma novidade: os serviços de streaming. Se, primeiramente, os consumidores abandonaram os CDs para comprar suas músicas individualmente, agora a opção é pelo pagamento de mensalidades para o download de infinitas faixas ou a reprodução online delas gratuitamente, em alguns casos.

iPod Nano tem tela touchscreen e pode ser sincronizado com o Spotify, mas funções são limitadas (Foto: Divulgação/Apple)iPod Nano pode ser sincronizado com Spotify, mas funções são limitadas (Foto: Divulgação/Apple)

Uma das grandes causas da queda do iTunes é o Spotify, que chegou ao Brasil apenas este ano, mas já conta com 40 milhões de usuários em todo o mundo. Destes, 10 milhões são assinantes do serviço pago, que oferece a reprodução offline das faixas e sem propagandas.

O Spotify está disponível em diversas plataformas, como iOS, Android, Windows Phone, Windows e Mac. Contudo, apresenta uma experiência bastante inferior nos iPods Nano e Shuffle, igualando-se no Touch. Algo similar ocorre com outros serviços como o Rdio, Deezer e Xbox Music, que não dispõem de suporte ou são muito limitados.

Futuro ainda incerto

Com a fim de mais um modelo de iPod, fica a pergunta: os revolucionários players da Apple ainda têm espaço no mercado? Uma resposta exata é bastante difícil neste momento, mas dois caminhos parecem ser os mais claro: a reinvenção ou a extinção.

Se optar pelo primeiro caminho, a Apple teria como desafio tornar os iPods um objeto com uma característica única em relação aos smartphones e demais reprodutores. Tal solução foi adotada pela Sony, que relançou o dispositivo Walkman, e por Neil Young, responsável pelo PonoPlayer. Ambos os aparelhos prometem uma reprodução de áudio bastante superior à encontrada atualmente.

iPods perderam espaço no mercado e seu futuro ainda ainda é incerto (Foto: Divulgação/Apple)iPods perderam espaço no mercado e seu futuro ainda ainda é incerto (Foto: Divulgação/Apple)

Outro diferencial poderia estar no lançamento de um serviço de streaming com alguma exclusividades para os iPods, rumor aquecido após a compra da Beats. Se nenhuma das alternativas for bem-sucedida, o famoso player tende a desaparecer gradativamente até ser encerrado de vez pela Apple. Caso isso ocorra, o produto passaria longe de um fracasso graças à sua história de sucesso na indústria da música. Todavia, no mundo da tecnologia, tudo é rapidamente substituído por alguma novidade.

*Colaborou com a matéria Larissa Ferrari

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